Eclipse now
Da próxima vez que acontecer, daqui a 118 anos, já não estou cá, não estaremos. Mas nem por isso comprei os óculos para ver em segurança o eclipse total de hoje. E admito que não estou minimamente entusiasmado. Juan Manuel de Prada, em geral um desmancha-prazeres, escreveu ontem no ABC em defesa da “poesia do eclipse”, detectando uma “escrita de Deus” onde outros verão apenas Lucrécio e Galileu. Mas eu vivi um serôdio e espúrio “reencantamento do mundo”, e agora voltei ao “desencantamento” weberiano. Aquilo que move “il sole e l'altre stelle” escapa-me infinitamente. Eclipses, apocalipses, concedei-me o sossego e a indiferença.

Vale!