Advogado do diabo
Mais por coincidência do que por premeditação, a escrita deste diário foi sendo acompanhada de leituras de Schopenhauer. Identifico-me com muitas das suas ideias (sobre o tédio ou sobre a ilusão), acho que outras tendem a ser entendidas às avessas (a dimensão negativa do sofrimento), enquanto outras ainda me são de todos alheias (o elogio do não-desejo). Mas confesso que nada me convence mais, ou me atrai mais, de que algumas das suas teses escandalosas, a começar pela ideia de que merecemos tudo aquilo que nos acontece. Não que aceite isso como teoria geral; apenas acredito que no meu caso é verdade. Nessa matéria serei sempre advogado do diabo.
