Acções e intenções
Regresso à casuística moral católica. Se uma pessoa nos fizer feliz, embora agindo sob reserva mental, como deve ser avaliada a moralidade desse comportamento? Ainda que a situação precisasse de ser mais bem explicada, o princípio interpretativo a ter em conta é sempre o dos efeitos, não o das intenções. O exemplo clássico é A dar dinheiro a B, que dele precisa, tendo como objectivo ser considerado pela sociedade um homem generoso. O acto não é intrinsecamente bom nas suas intenções, mas é objectivamente bom nos efeitos, e isso deve prevalecer no nosso juízo. Se a actuação de A contribuir para o bem material ou moral de B, a acção é virtuosa, quaisquer que sejam as razões dessa acção. A questão complica-se quando B tem conhecimento das motivações de A. Nesse caso é preciso saber o seguinte: o bem que A fez a B excede ou não o mal que A fez a B mentindo-lhe? Como se diz nos filmes de tribunal: the jury’s out.

Dentro do mapeamento filosófico ocidental este questionamento faz sentido. Noutras geografias do mundo a questão não se colocaria desta forma. No entanto, independentemente da teoria ético-semiótica a resposta seria muito similar em qualquer cartografia filosófica (oriental incluída): Até onde o sujeito, após saber da verdadeira intenção do praticante da acção, tolera e aceita a mentira. Não há respostas ou atitudes certas. Apenas decisões face à mentira.