Péter Esterházy (1950-2016), escritor húngaro descendente de uma família ilustre e ilustrada, publicou em 2000 o romance Harmonia Caelestis, onde evoca os antepassados, entre os quais o pai, Mátyás Esterházy, aristocrata perseguido pelo regime comunista. Mas vicissitudes historiográficas fizeram com que, pouco depois, Péter tivesse conhecimento de que, na verdade, Mátyás colaborara com a polícia política durante mais de vinte anos. Essa descoberta obrigou-o a escrever novo livro, como que desconstruindo o anterior. Revisto e Corrigido (2002) é por isso um diário sofrido, um trabalho de arquivo, um ensaio de ego-história. E também um exercício duríssimo para qualquer pessoa, mais ainda para quem escreve: abjurar todos os elogios, por motivo de abjecta falsidade.
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