A prosa do mundo
“Crise de versos”, disse Mallarmé. Também tive a minha, em sentido menos sofisticado: sete anos sem escrever um poema. Achei então que a poesia era ilusória e abstracta, desligada do que nos acontece. Desta vez, foi a prosa. Escrever prosa demora-me muitíssimo, nunca precisei de tanto tempo, os textos exigem quatro ou cinco versões até ficarem aceitáveis. Terá sido a “prosa do mundo” que me afectou, ou vi quão insignificantes são as coisas que os outros acham fundamentais?

Provavelmente a prosa dói mais porque também demora mais. Sete anos sem um poema, parace um poema acerca do luto.